Formação de Profissionais de Apoio para Inclusão e Educação Especial
Os pares que vão para o entregável
Caso fictício do curso, na Escola Municipal Flor do Campo. A criança não tem nome nem diagnóstico, de propósito. Esta atividade não vale nota.
Marcos garimpou o portfólio e achou sete situações; quatro estão na lista de candidatos. Falta pouco para a entrega final, e ele quer um entregável que impressione. Dona Cida lê a lista e diz: "Um par sozinho não prova nada; três ou quatro contam uma história. Qual história é verdadeira?" Quais pares Marcos usa?
Objetivo
Escolher pares de evidência antes/depois que contem uma história honesta de impacto, incluindo o que não mudou.
Documentos
Pares candidatos de Marcos
Documento fictício do curso, da Escola Municipal Flor do Campo. A criança não tem nome nem diagnóstico, de propósito.
Situações garimpadas no portfólio
- Comunicação no lanche
- Antes (Semana 3, registro de 26/11): puxava o adulto até a mochila. Depois (Semana 11, registros de 03/02 a 09/02): apontou no cartão de escolha o que queria em quatro de cinco lanches.
- Participação no recreio
- Antes (Semana 3): ficava no canto do pátio. Depois (Semana 10): entra no grupo do pega-pega, mas raramente fica mais de cinco minutos.
- Transições entre atividades
- Antes (Semana 3): precisava de aviso e de acompanhamento físico. Depois (Semana 11): ainda precisa de aviso e de acompanhamento físico.
- Guardar o material
- Antes (Semana 3): esperava alguém guardar. Depois: "acho que ela já guarda sozinha" (sem registro).
Retrato da Semana 3 e retrato atualizado
Documento fictício do curso, da Escola Municipal Flor do Campo. A criança não tem nome nem diagnóstico, de propósito.
Trechos lado a lado
- Retrato funcional, Semana 3
- "Nas trocas de atividade, fica parada olhando os colegas e só começa quando um adulto senta junto. No lanche, puxa o adulto pela mão sem conseguir mostrar o que quer."
- Retrato atualizado, Semana 11
- "Nas trocas de atividade, olha o quadro de rotina e começa sem um adulto ao lado na maioria das vezes, mas ainda precisa de aviso e de alguém que a acompanhe até o lugar novo. No lanche, aponta no cartão o que quer."
- O que a comparação mostra
- Mudou: comunicação no lanche e o início da atividade. Não mudou: a passagem física de um lugar para o outro nas trocas.
Perspectivas
Marcos, profissional de apoio
Marcos se dedicou doze semanas e quer que isso apareça. Ele sabe que a criança avançou, mas nem tudo avançou.
Quem acompanha a criança depois
Quem chegar no próximo período vai ler o entregável para saber o que manter e o que ainda precisa de atenção.
Dona Cida
Dona Cida pergunta: "Se outra pessoa estivesse na sala nos dois dias, ela veria a mesma mudança?"
Pistas
- Um par compara a mesma situação, ou uma equivalente, em dois momentos registrados.
- Confira se o antes e o depois de cada candidato têm registro, não só lembrança.
- O que não mudou cabe no entregável? Para que ele serve a quem vem depois?
Decida e justifique
Registre sua decisão e a evidência que a sustenta em um arquivo próprio, sem dados pessoais. Depois confira a consequência e registre o que mudaria.
Usar o lanche, o recreio e as transições, cada um com o que segue em aberto.
O entregável conta o que funcionou, o que avançou pela metade e o que não mudou. As transições viram recomendação: manter o aviso e o acompanhamento. Quem vier depois sabe por onde começar.
Usar as sete situações do portfólio para mostrar o trabalho inteiro das doze semanas.
O trabalho aparece todo, mas a história se fragmenta. Os pares fortes se misturam aos fracos, e a apresentação de dez minutos não dá conta de todos.
Deixar as transições de fora, porque o entregável é sobre o que mudou.
O entregável fica mais bonito e menos verdadeiro. A recomendação mais importante para o próximo profissional, manter o apoio nas trocas, desaparece junto com o par.
Pôr o par de guardar o material em lugar do recreio, porque mostra a maior mudança.
É o par que mais impressiona, mas o depois não tem registro. A mudança pode ser real, só que o entregável não consegue mostrá-la, e o critério de consistência pede exatamente isso.
Exemplo resolvido: o par do recorte
Na Semana 3, a criança pegou a tesoura, ficou olhando os colegas e, depois de dois minutos, empurrou a folha; foi preciso fazer junto (degrau 5) para ela cortar os três primeiros pedaços. Na Semana 10, na mesma atividade de recorte em grupo, começou a cortar depois de 40 segundos de espera (degrau 1) e cortou sozinha dois terços da folha. A mudança: do degrau 5 para o degrau 1 no início da tarefa. O que segue em aberto: curvas ainda pedem degrau 3 ou 4. O par fica completo com as duas partes.
Reflexão
Escolha no seu portfólio uma área em que você esperava mais mudança do que viu. Que par de evidência mostra isso, e que recomendação ele deixa para quem continuar com a criança?
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