Formação de Profissionais de Apoio para Inclusão e Educação Especial

A prancha que quase foi para a gaveta

Caso fictício do curso, na Escola Municipal Flor do Campo. A criança não tem nome nem diagnóstico, de propósito. Esta atividade não vale nota.

Na Escola Municipal Flor do Campo, a criança que Marcos acompanha no 1º ano pede o que precisa puxando o braço dos adultos. Na segunda-feira, Marcos montou uma prancha com seis figuras. Na quarta, escreveu: "Ela não usa a prancha". Dona Cida leu a ficha dele e não concordou nem discordou. Pediu que ele olhasse de novo os três dias antes de decidir. O que Marcos faz com a prancha na semana que vem?

Objetivo

Encontrar, no registro de Marcos, o que impediu a prancha de funcionar e escolher como apresentar o recurso para que ele entre na rotina.

Documentos

A prancha de Marcos: o que tem e onde fica

Documento fictício do curso, da Escola Municipal Flor do Campo. A criança não tem nome nem diagnóstico, de propósito.

Ficha do recurso

Recurso
Prancha de comunicação plastificada, com figuras do ARASAAC.
Figuras
Água, banheiro, ajuda, pausa, sim, não.
Onde fica
Na mochila de Marcos. Ele tira quando acha que a criança vai precisar.
Quem sabe usar
Só Marcos. A professora viu a folha, mas ninguém explicou para que serve.

Registro de Marcos: os três primeiros dias com a prancha

Documento fictício do curso, da Escola Municipal Flor do Campo. A criança não tem nome nem diagnóstico, de propósito.

Ficha rápida

Segunda, lanche
Puxou meu braço até o filtro. Mostrei a prancha e disse: "Aponta a água". Ela não apontou; dei a água.
Terça, troca para a educação física
Puxou a professora pela mão até a porta. A prancha estava na minha mochila.
Quarta, pátio
Tocou na prancha, que eu tinha deixado no banco, na figura de pausa. Achei que foi sem querer e guardei a prancha.
Conclusão de Marcos
Ela não usa a prancha. Acho que não é para ela.

Perspectivas

Marcos, profissional de apoio

Marcos fez a prancha com cuidado e ficou frustrado. Ele não quer insistir em algo que parece não servir para a criança.

Professora da turma

A professora viu a folha plastificada, mas não sabe o que cada figura quer dizer nem que poderia usá-la ao dar instruções.

Dona Cida

Dona Cida já teve recursos que foram parar na gaveta. Ela pergunta a Marcos: "Quantas vezes você usou a prancha na frente dela?"

Pistas

  1. Onde a prancha estava em cada um dos três dias?
  2. Na ficha, quem aparece usando a prancha de verdade? Quem só pede que ela use?
  3. Releia a quarta-feira. O que a aula diz sobre responder a qualquer toque no recurso?

Decida e justifique

Registre sua decisão e a evidência que a sustenta em um arquivo próprio, sem dados pessoais. Depois confira a consequência e registre o que mudaria.

Guardar a prancha por enquanto e voltar a ela quando a criança mostrar interesse.

A prancha fica na mochila, e a criança continua puxando o braço dos adultos. Ela não tem como mostrar interesse por um recurso que não vê. Três dias foram pouco para saber se a prancha serve.

Trocar a prancha por um aplicativo de símbolos no celular de Marcos.

Os símbolos ficam mais bonitos, mas continuam nas mãos de Marcos, e não ao alcance dela. O problema da semana não era o formato da prancha. Era onde ela ficava e quem a usava.

Pedir a cada vez, antes de atender: "Aponta a figura antes de puxar meu braço".

O pedido vira condição para ser atendida, e a hora do lanche fica tensa. A criança ouve a ordem várias vezes por dia, mas quase nunca vê alguém usar a figura com intenção real.

Prender a prancha na mesa, usá-la ele mesmo e mostrar as figuras à professora.

Marcos aponta "água" ao ir ao filtro, e a professora aponta "pausa" antes do recreio. No quinto dia, a criança toca em "água" antes de puxar o braço, e Marcos atende. Às vezes, ainda puxa.

Exemplo resolvido: outra cena, o mesmo raciocínio

Dona Cida montou um quadro primeiro/depois para uma criança que se agitava nas trocas de atividade. Nos primeiros dias, ela mesma mudava as figuras antes de anunciar cada troca e dizia em voz alta: "Primeiro leitura, depois parque". Não pediu nada à criança. O quadro ficava preso na mesa. Na segunda semana, a criança começou a olhar para o quadro quando a professora falava em troca. Dona Cida registrou cada vez que isso aconteceu.

Reflexão

Qual dos três dias de Marcos mais se parece com o que você viu ao apresentar um recurso à sua criança? Pense no vocabulário do seu recurso: ele deixa a criança dizer só o que precisa, ou também "não quero" e "gostei"? Anote o que você mudaria antes de levar o recurso para o plano desta semana.

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