Formação de Profissionais de Apoio para Inclusão e Educação Especial

Quem responde pela criança?

Caso fictício do curso, na Escola Municipal Flor do Campo. A criança não tem nome nem diagnóstico, de propósito. Esta atividade não vale nota.

Na Escola Municipal Flor do Campo, a criança que Marcos acompanha passa o dia ao lado dele. Esta semana, os colegas do grupo de ciências passaram a fazer a Marcos as perguntas que eram para ela, e ele respondeu todas. Dona Cida leu as anotações dele e perguntou: "Você é ponte ou porta-voz?". Na quinta tem trabalho em grupo de novo. O que Marcos faz quando a primeira pergunta vier para ele?

Objetivo

Reconhecer, nas anotações de Marcos, os sinais de que o apoio está virando barreira e escolher a mediação que devolve a criança à conversa do grupo.

Documentos

Anotações de Marcos sobre a semana da criança com a turma

Documento fictício do curso, da Escola Municipal Flor do Campo. A criança não tem nome nem diagnóstico, de propósito.

Anotações da semana

Terça, ciências em grupo
Um colega me perguntou se ela queria a tesoura. Respondi que sim e entreguei a tesoura a ela.
Quarta, roda de conversa
A professora perguntou o que ela tinha trazido de lanche. Eu respondi: "banana".
Quinta, recreio
Ficou do meu lado o recreio inteiro. Dois colegas chamaram para pular corda; eu disse que ela preferia ficar.
Onde eu sento
Na cadeira entre ela e o grupo, para alcançar o material dela mais rápido.

Planejamento de Marcos para o trabalho em grupo de quinta

Documento fictício do curso, da Escola Municipal Flor do Campo. A criança não tem nome nem diagnóstico, de propósito.

As quatro perguntas da aula

Qual é a situação
Trabalho em grupo de ciências, quinta às 9h, mesa com três colegas.
O que costuma acontecer
Os colegas perguntam para mim, e eu respondo por ela.
Qual degrau vou tentar primeiro
Ainda não decidi. Vou conversar com Dona Cida antes de quinta.
Como vou saber se funcionou
Contar quantas perguntas do grupo vão direto para ela, e não para mim.

Perspectivas

Marcos, profissional de apoio

Marcos quer que o grupo ande e tem medo de deixar a criança exposta a um silêncio longo. Responder por ela parecia gentileza.

Um colega do grupo

Para o colega, perguntar a Marcos é mais rápido: ele sempre responde. Ninguém mostrou ao grupo outro jeito.

Dona Cida

Dona Cida já falou pela criança muitas vezes e aprendeu com isso. Ela pergunta a Marcos: "Quantos segundos você deu antes de responder?"

Pistas

  1. A pergunta do colega era para quem?
  2. Compare as anotações com os sinais de que o apoio está virando barreira. Quantos aparecem?
  3. Veja onde Marcos senta. Do lado e um pouco atrás, ele fica disponível sem ficar no meio.

Decida e justifique

Registre sua decisão e a evidência que a sustenta em um arquivo próprio, sem dados pessoais. Depois confira a consequência e registre o que mudaria.

Esperar e, se o colega insistir, dizer em tom leve: "Pergunta pra ela".

O colega ainda olha para Marcos antes de virar para a criança. Ela demora, depois estende a mão para os papéis da colagem, e o colega entende. Marcos segue ao lado, pronto para uma dica mínima.

Responder pela criança, como de costume, para o grupo não perder tempo.

O grupo resolve rápido, e a próxima pergunta também vai para Marcos. A criança não precisou dizer nada. Os colegas aprendem, mais uma vez, que o caminho até ela passa pelo adulto.

Sair de perto do grupo, para que os colegas sejam obrigados a falar com ela.

Sem Marcos e sem nenhum combinado, os colegas não sabem o que fazer com o silêncio e seguem a atividade sem ela. Sair sem preparar ninguém deixa a criança sozinha na mesa, e não mais perto da turma.

Avisar o grupo, em voz alta, que ela demora para responder e precisa de paciência.

Os colegas passam a esperar, mas a criança foi apresentada pelo que demora, diante de todos. Preparar um colega funciona melhor quando é discreto e feito antes da atividade.

Exemplo resolvido: outra cena, o mesmo raciocínio

No lanche, uma colega pergunta a Dona Cida se a criança quer trocar de lugar com ela. Dona Cida não responde. Olha para a criança e conta até dez em silêncio. Nada. Então dá a dica mínima: vira o olhar para a colega, sem falar. A criança acena com a cabeça, e a colega troca de lugar. A pergunta voltou para quem ela era, e Dona Cida não precisou dizer uma palavra.

Reflexão

Qual das anotações de Marcos mais se parece com algo que você fez esta semana? Escolha uma situação previsível da rotina da sua criança e escreva o primeiro degrau da mediação que você vai tentar e o que vai observar para saber se funcionou.

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