Formação de Profissionais de Apoio para Inclusão e Educação Especial

Escrever por ela ou esperar?

Caso fictício do curso, na Escola Municipal Flor do Campo. A criança não tem nome nem diagnóstico, de propósito. Esta atividade não vale nota.

É a atividade de escrita do 3º ano na Escola Municipal Flor do Campo. A criança que Marcos acompanha está há cinco minutos parada diante da folha. A professora está do outro lado da sala, atendendo um grupo, e faltam vinte minutos. A criança olha para Marcos. Na semana passada, numa situação parecida, ele segurou a mão dela e escreveram juntos a primeira frase. O que Marcos faz agora?

Objetivo

Escolher o apoio a partir do que a orientação da professora e as anotações da semana mostram, começando pelo degrau mais baixo da escada de apoio.

Documentos

Orientação da professora para a atividade de escrita

Documento fictício do curso, da Escola Municipal Flor do Campo. A criança não tem nome nem diagnóstico, de propósito.

Orientação para o profissional de apoio

Atividade
Escrever três frases sobre a figura do livro de leitura. Tempo: 25 minutos.
O que se espera da criança
Frases dela, do jeito que conseguir. Se escrever menos de três, tudo bem.
Apoio combinado
Ler o enunciado em voz alta se ela pedir. Se ela não começar, esperar por perto e depois apontar o exemplo que está no quadro.
Quando me chamar
Se ela continuar sem começar depois do exemplo, me avise. Eu ajusto a tarefa.

Anotações de Marcos na semana passada

Documento fictício do curso, da Escola Municipal Flor do Campo. A criança não tem nome nem diagnóstico, de propósito.

Anotações de Marcos

Segunda, produção escrita
Ela ficou parada diante da folha. Segurei a mão dela e escrevemos juntos a primeira frase. Terminou a folha em dez minutos.
Quarta, produção escrita
Assim que me sentei ao lado dela, empurrou o lápis na minha direção.
Sexta, recorte
Desta vez esperei dois minutos antes de chegar perto. Ela começou a cortar sozinha, mais devagar.

Perspectivas

Marcos, profissional de apoio

Marcos quer que ela participe e não quer vê-la parada até o fim da aula. Ele também se lembra de que, na segunda, a folha ficou pronta rápido.

Professora regente

A professora planejou a atividade e combinou o apoio. Ela quer frases da criança, e não a folha cheia, e pediu para ser chamada se o combinado não funcionar.

Dona Cida

Dona Cida, que trabalha na escola há mais de dez anos, costuma perguntar a Marcos qual foi o primeiro degrau que ele tentou.

Pistas

  1. Na escada de apoio, qual é o degrau mais baixo? O que a orientação da professora prevê antes de qualquer outro passo?
  2. Compare a segunda e a quarta nas anotações de Marcos. O que ela passou a fazer quando ele se senta ao lado dela?
  3. O recorte de sexta mostra o que acontece quando Marcos espera. Que informação isso dá para a escrita de hoje?

Decida e justifique

Registre sua decisão e a evidência que a sustenta em um arquivo próprio, sem dados pessoais. Depois confira a consequência e registre o que mudaria.

Segurar a mão dela e escrever juntos a primeira frase, como fez na segunda-feira.

A folha fica pronta antes do fim da aula. Esse é o último degrau da escada, usado sem passar pelos anteriores, e a orientação da professora não prevê escrever junto. Nas anotações de quarta, ela já empurra o lápis quando Marcos chega: a semana recomeça do mesmo jeito.

Esperar alguns minutos por perto e, depois, apontar o exemplo do quadro.

É o degrau mais baixo, seguido da dica visual que a professora combinou. Ela pode começar sozinha, como no recorte de sexta, ou continuar parada. Nesse caso, o passo previsto é avisar a professora, que ajusta a tarefa. A folha pode não ficar pronta hoje.

Ditar a primeira frase em voz baixa para ela copiar e seguir sozinha.

Ela escreve, mas a frase é de Marcos. Ditar a resposta substitui o raciocínio da criança, e a professora pediu frases dela. Ao olhar a folha, a professora não tem como saber o que a criança produziria.

Chamar a professora agora mesmo e perguntar a ela o que fazer.

A professora deixa o grupo que estava atendendo. A orientação já dizia o que tentar antes de chamá-la: esperar e mostrar o exemplo. Chamar faz parte do combinado, mas depois dessas duas tentativas.

Exemplo resolvido: outra criança, o mesmo raciocínio

No lanche, uma profissional de apoio percebe que sempre abre o pote antes de a criança tentar. Na semana seguinte, decide esperar. A criança leva três minutos, tenta duas vezes e abre o pote sozinha. A profissional anota o que viu: "esperei três minutos; abriu na segunda tentativa". O método tem três passos: começar pelo degrau mais baixo, só subir se a criança não avançar e registrar o que aconteceu. Quando a criança precisa de um degrau alto, o trabalho seguinte é ir retirando esse apoio aos poucos.

Reflexão

O que sustentou a sua escolha: a orientação da professora, as anotações de Marcos ou a sua experiência? Agora pense na criança que você acompanha. Em que momento da semana você vai direto a um degrau alto da escada? O que aconteceria se você começasse um degrau abaixo?

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